Clint Eastwood nunca fez filmes fáceis. Com Sniper Americano, ele mirou no coração da América pós-11 de setembro e atirou para acertar. O resultado é um filme que dividiu o país e que agora pode ser visto de graça no Mercado Play.
Sniper Americano não é um simples filme de guerra. É uma jornada que nos afunda na poeira e no sangue do Iraque para contar a história de um homem transformado em lenda e, em seguida, consumido por ela. Quem ainda não viu essa opção, agora pode correr ao streaming gratuito.
A história de Sniper Americano
A narrativa acompanha Chris Kyle (Bradley Cooper). Ele é um caubói de rodeio texano que assiste aos ataques de 11 de setembro pela TV e decide que seu lugar é na guerra. Após um treinamento brutal, ele se torna um atirador de elite dos Navy SEALs.
No Iraque, sua pontaria o transforma em uma figura mítica. Ele acumula mortes confirmadas para proteger seus companheiros, ganhando o apelido de “A Lenda”.
O filme, com 2 horas e 12 minutos, intercala quatro turnos de serviço no front com suas breves e difíceis voltas para casa. É em casa que a guerra continua. Kyle tenta ser um marido e um pai, mas o peso que ele carrega nos ombros é visível no silêncio à mesa de jantar, um silêncio mais ensurdecedor que qualquer explosão.
O filme que partiu a América ao meio
Sniper Americano partiu a América ao meio. Para metade do país, era um tributo a um herói. Para a outra metade, a glorificação de um assassino. O gênio de Eastwood é recusar-se a dar uma resposta, forçando o espectador a confrontar o seu próprio desconforto.
O que eleva a obra é a performance de Bradley Cooper. Ele não apenas ganhou músculos; ele absorveu o peso de uma nação. Vemos a confiança do soldado no campo de batalha se desintegrar na hesitação de um pai que não consegue mais se conectar com o filho. É uma transformação que acontece nos olhos.
Eastwood filma a guerra sem trilha sonora heroica, com uma secura quase documental. As cenas de ação são um trabalho sujo que precisa ser feito, e Sniper Americano nunca nos deixa esquecer o custo disso.
A equipe por trás do retrato de um herói controverso

A direção do longa de 2014 é do lendário Clint Eastwood (Os Imperdoáveis). O roteiro de Jason Dean Hall adapta a autobiografia de Chris Kyle. O filme foi um gigante no Oscar, com seis indicações, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Bradley Cooper.
O elenco conta ainda com Sienna Miller. O que torna o filme imperdível é sua coragem de ser complexo. É uma obra que não busca agradar, mas sim provocar, ancorada por uma das atuações mais dedicadas da década.
No final, Sniper Americano argumenta que a guerra não termina quando o soldado volta para casa. Ela apenas muda de campo de batalha: do deserto do Iraque para a mente de quem sobreviveu.
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