O maior torneio de League of Legends do planeta chega aos Estados Unidos em outubro de 2026. A promessa de arenas lotadas e audiência global contrasta com um clima migratório cada vez mais rígido no país, fator que já liga o sinal de alerta na Riot Games.
Com quase sete milhões de espectadores na final de 2025, o Worlds 2026 atrairá atletas de Coreia, China, Europa, Brasil e outras regiões. A festa, entretanto, pode esbarrar em barreiras burocráticas que ganharam fôlego extra após nova votação no Congresso norte-americano.
Pressão migratória coloca o Worlds 2026 em xeque
Na última quarta-feira, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou a abertura de quase 70 bilhões de dólares em verbas para o Immigration and Customs Enforcement (ICE) e a Customs and Border Protection (CBP). O montante garante fôlego às agências até o fim do mandato do presidente Donald Trump e sinaliza fiscalização mais intensa justamente quando jogadores precisarão entrar no país para o Worlds 2026.
Embora ainda falte a redação definitiva do projeto de lei, a mensagem é clara: a política de imigração seguirá dura. Para as equipes de esports, isso se traduz em possíveis filas, exigências extras e até negativas de última hora, situação que já aconteceu em edições passadas de torneios internacionais.
Como a Riot Games pretende contornar o impasse
Questionado em março sobre um eventual bloqueio a participantes, Chris Greeley, chefe global de esports de League of Legends, foi diplomático: “Esperamos que todos os jogadores classificados tenham uma entrada suave nos EUA”. Apesar do otimismo, o executivo admitiu que não lembra de um grande evento recente sem “alguma preocupação de visto ou imigração” próxima da data.
Para minimizar riscos, a editora trabalha em “contingências” e mantém contato direto com times que encontrem dificuldades. A logística inclui documentação antecipada, suporte jurídico e, em último caso, realocação de partidas ou atletas. Até o momento, os locais do campeonato permanecem confirmados e a organização não cogita mudança de país-sede.
Histórico de contratempos com vistos em esports
Problemas no P-1A, visto comum para competidores profissionais, não são novidade. Em 2024, Mohamed Amine “johnqt” Ouarid, então na Sentinels, ficou preso no Marrocos. No mesmo ano, a brasileira LOUD enfrentou atrasos e teve jogadores retidos na Irlanda em plena temporada de Valorant.

Imagem: Divulgação
A lista segue: em 2020, a Team Liquid precisou substituir Broxah às pressas no LCS Spring Split; em 2015, o sueco Leffen foi barrado porque o Super Smash Bros. não foi reconhecido como esporte pela imigração. O que muda agora é a escala de investimento em fiscalização, que ultrapassa 130 bilhões de dólares desde 2025 e ganhou novo reforço nesta semana.
Impacto para fãs latino-americanos e de outras regiões
O temor não se restringe a jogadores. Torcedores da América Latina já demonstram receio de viajar para os EUA em meio ao endurecimento das fronteiras. Greeley reconhece o problema e afirma que a Riot leva em conta “o ambiente mais amplo” antes de definir sedes futuras.
Enquanto aguardam definições, muitos fãs buscam alternativas de entretenimento digital. Títulos como Fortnite e suas ilhas temáticas de Star Wars, ou as listas de códigos de Reborn Incremental no Roblox, surgem como opção para quem prefere jogar em casa. O próprio ThunderWave mantém cobertura constante dessas novidades, reforçando o apelo do universo geek enquanto o Mundial não começa.
Vale a pena se preocupar?
A Riot mantém confiança pública, mas o histórico de impasses e a expansão orçamentária do ICE/CBP justificam cautela entre atletas e fãs. Com o relógio correndo, as próximas semanas serão decisivas para saber se o Worlds 2026 manterá todos os seus protagonistas dentro de jogo.

