O primeiro trailer do próximo longa de Resident Evil chegou e, logo de cara, deixa claro que a franquia cinematográfica está virando a chave. Nada de cenas de ação desenfreadas no estilo dos filmes antigos: a prévia concentra a câmera no medo, em corredores escuros e na sensação de impotência.
A proposta é simples e direta: mostrar a luta de um mensageiro preso em Raccoon City durante uma noite que parece não ter fim. Ao seguir os passos desse personagem comum, o estúdio sinaliza que pretende resgatar a essência dos jogos da Capcom, marcada por tensão constante e perigos que espreitam a cada esquina.
Protagonista humano, ameaça incontrolável
No trailer, vemos Bryan (Austin Abrams), um entregador de material médico, chegando à cidade para uma última rota. Em poucos minutos, ele percebe que algo está fora de controle. Hospital abandonado, ruas vazias e sirenes ecoando compõem o cenário de pânico. Criaturas deformadas surgem nas sombras, obrigando o rapaz a improvisar formas de se manter vivo.
O foco em um personagem sem treinamento militar reforça a vulnerabilidade típica dos games clássicos. O espectador acompanha cada respiração ofegante e cada porta que range, intensificando o terror psicológico que definiu Resident Evil nos anos 1990.
Narrativa inédita no universo Resident Evil
Diferentemente de adaptações passadas, o roteiro não reproduz nenhum capítulo exato da franquia. A equipe criativa optou por construir uma história nova, mas que respeita pilares como o surto viral, as mutações monstruosas e o isolamento dos sobreviventes dentro de Raccoon City.
Essa liberdade permite brincar com expectativas de fãs veteranos sem trair o material de origem. Elementos emblemáticos – frascos quebrados de vírus, documentos espalhados em laboratórios e rádios chiando com pedidos de socorro – aparecem como easter eggs, mas a trama principal segue sem depender de lore prévio.
Ambientação claustrofóbica lembra jogos clássicos
Boa parte do trailer se passa em corredores apertados, salas escuras e becos silenciosos. A fotografia aposta em luzes fracas e ângulos fechados, recriando a sensação de perigo iminente que fez muitos jogadores tremularem no primeiro PlayStation. Quase não há espaço para respiro, e cada porta aberta pode esconder um Licker ou zumbi em estágio avançado.

Imagem: Matheus Amorim
A escolha reforça a tendência atual de resgatar o horror raiz também em outras produções, como se viu em séries que desconstruíram super-heróis. A quinta temporada de The Boys, por exemplo, mostrou que a audiência valoriza tramas que investem pesado em atmosfera e consequências reais.
Distância dos filmes de ação anteriores
Os longas lançados entre 2002 e 2016 transformaram Resident Evil em uma franquia de ação futurista, com protagonistas super-humanos e sequências explosivas. Agora, a nova produção busca o caminho oposto: cenas contidas, poucas armas de fogo e suspense que cresce lentamente.
Esse reposicionamento mira o público que sentiu falta do medo genuíno nos cinemas. A história, ambientada em poucas horas de caos, promete ritmo ininterrupto, semelhante a um único capítulo de jogo zerado durante a madrugada – experiência familiar para quem sobreviveu a Raccoon City no console.
Vale a pena ficar de olho?
Com estreia marcada para 2026, o filme de Resident Evil surge como tentativa de reconectar a marca ao terror puro que a consagrou. Caso mantenha o estilo mostrado no trailer, a produção tem tudo para agradar tanto veteranos quanto novatos, além de fortalecer o catálogo de lançamentos cobertos pelo ThunderWave.

