O lançamento de Lord of Hatred deveria ser apenas festa para quem acompanha Diablo 4 desde junho de 2023. No entanto, a chegada da expansão também abriu a porta para uma enxurrada de críticas no Steam, fazendo o RPG de ação despencar para o selo “Neutras” na plataforma da Valve.
Embora o conteúdo inédito tenha sido bem recebido pela maioria dos fãs, questões de performance e, principalmente, de monetização motivaram centenas de avaliações negativas. Entenda, a seguir, por que o jogo vive esse contraste entre recorde de público e desgaste na reputação.
Expansão Lord of Hatred atrai público recorde, mas avaliação cai
Diablo 4 ultrapassou a marca de 60 mil jogadores simultâneos no Steam durante o fim de semana de lançamento de Lord of Hatred. É o maior pico desde que o título da Blizzard chegou à plataforma, em outubro de 2023. Mesmo assim, apenas 66% das resenhas recentes são positivas, nível que coloca o jogo na faixa “Neutras”.
Esse cenário curioso — mais gente jogando e, ao mesmo tempo, mais gente reclamando — reflete a divisão na comunidade. Muitos apreciaram o desfecho do arco Age of Hatred, elogiando as novas atividades de endgame e mecânicas sazonais como Chaos Armor e Killstreaks. Contudo, as estrelas na página do Steam foram derrubadas por outras frentes de insatisfação.
Monetização é principal alvo do review bombing
Grande parte das resenhas negativas critica o sistema de microtransações. No centro da polêmica está o Platinum, moeda premium comprada com dinheiro real e usada para adquirir cosméticos com preços elevados. Jogadores reclamam de itens vendidos por tempo limitado, estratégia que provoca o famoso FOMO (medo de perder algo).
O estopim veio com a colaboração recente entre Diablo 4 e World of Warcraft. Além de acusarem preços abusivos, alguns usuários se irritaram porque a expansão Vessel of Hatred, adquirida há quase dois anos, agora aparece “grátis” para quem compra Lord of Hatred. Para a comunidade, o movimento soa injusto com quem pagou antecipadamente. O debate esquentou tanto quanto aquele sobre os buffs e nerfs anunciados para World of Warcraft.
Desempenho técnico também gera reclamações
Embora em menor número, há relatos de stuttering, telas de carregamento prolongadas e quedas de FPS após a atualização. A Blizzard já liberou dois hotfixes emergenciais para suavizar o problema, mas parte dos jogadores afirma que os ajustes ainda não resolveram tudo.

Imagem: Divulgação
Curiosamente, a crítica especializada recebeu Lord of Hatred de forma positiva, destacando melhorias no ritmo das missões e na variedade de chefes. Mesmo assim, a nota dos usuários caiu, indicando que performance e microtransações pesam mais na balança do público.
Comparações e impacto no ecossistema dos games
Review bombings não são novidade na indústria. Em março, Heroes of Might and Magic: Olden Era tornou-se sensação ao somar 500 mil cópias em três dias, mas também sofreu comentários negativos por problemas de balanceamento — assunto abordado em relatório do ThunderWave. O caso de Diablo 4, porém, chama atenção porque acontece em paralelo a um pico de engajamento, mostrando que sucesso de público não garante aprovação unânime.
Para a Blizzard, o desafio é lidar com críticas ao modelo de negócios sem minar o interesse de quem acabou de chegar atraído pelo novo conteúdo. Até o momento, não há sinal de mudanças no preço dos cosméticos ou na política de itens sazonais.
Diablo 4: Lord of Hatred vale a pena?
Se o foco for a campanha adicional, novas masmorras e ajustes de endgame, Lord of Hatred entrega uma experiência sólida que agrada veteranos e novatos. Entretanto, quem se incomoda com microtransações caras e itens por tempo limitado pode se frustrar. A decisão, portanto, depende do quanto cada jogador tolera o modelo de monetização adotado hoje pela Blizzard.

