Berlim voltou, mas agora sob novas regras. Disponível desde 15 de maio de 2026, Berlim e a Dama com Arminho chega à Netflix com oito episódios que prometem responder se o spin-off consegue, enfim, avançar além da sombra deixada por La Casa de Papel.
A resposta, para surpresa de quem largou a franquia em 2023, é positiva — desde que o espectador entenda que a produção não tenta repetir o velho assalto à Casa da Moeda. Trata-se, sobretudo, de vingança, chantagem e de uma pintura renascentista que serve apenas de cortina para algo muito maior.
Um golpe movido por vingança coloca Berlim no centro da disputa
No novo enredo, o ladrão interpretado por Pedro Alonso é chantageado pelo Duque e pela Duquesa de Málaga, aristocratas espanhóis certos de que podem dobrar o criminoso mais imprevisível da franquia. O plano de roubar A Dama com Arminho, de Leonardo da Vinci, nasce como resposta direta à ameaça: o quadro vira isca para destruir o poder dos nobres.
Ao contrário do título de 2023, onde o roubo de joias em Paris competia com tramas paralelas, Berlim e a Dama com Arminho alinha emoção e logística criminal no mesmo eixo dramático. A reviravolta permanece fiel à fórmula “plano dentro do plano”, mas com um propósito claramente pessoal.
Pedro Alonso adiciona vulnerabilidade ao charme duvidoso de Berlim
O protagonismo de Alonso ganha novas camadas. Ódio, silêncio estratégico e recalibração substituem explosões imediatas, mostrando que o personagem se fortalece quando o conflito é íntimo. O ator sustenta a narrativa sobretudo quando o Duque parece assumir o controle, funcionando como arquiteto do golpe e potencial vítima de seu próprio temperamento.
Esta nuance funciona porque Candela, papel de Inma Cuesta, enxerga fissuras no ladrão que ninguém notou antes. Essas interações não derivam para romance apressado: o roteiro sustenta rivalidade intelectual e respeito mútuo, garantindo que o relacionamento nunca eclipse o assalto.
Candela surge como a adição mais relevante ao elenco da franquia
Inma Cuesta introduz uma personagem que não depende de Berlim para se justificar na trama. Candela possui interesses próprios dentro do golpe, contraria ordens quando necessário e, nos capítulos finais, assume posição decisiva contra o Duque. Essa trajetória a distancia dos jovens comparsas Cameron, Roi e Bruce, que ainda cumprem função meramente operacional.

Imagem: Ti Morais
A escolha por uma mulher que combina sagacidade e independência lembra a força de Alicia Sierra na série original, mas sem copiá-la. O resultado é um núcleo dramático capaz de dialogar de igual para igual com o sedutor protagonista, algo que faltou na temporada de 2023.
Sevilha transforma cenário em parte do enredo
A Semana Santa, as procissões e a arquitetura barroca se incorporam ao plano. O Duque de Málaga, fruto desse ambiente onde poder e tradição se confundem, não existiria fora da Andaluzia. As filmagens em Sevilha, Madri, San Sebastián e Peñíscola garantem estética cinematográfica comparável às cenas do Banco da Espanha vistas em La Casa de Papel.
A direção dividida entre Albert Pintó, David Barrocal e José Manuel Cravioto mantém unidade visual, algo essencial quando a série alterna catedrais históricas, palácios aristocráticos e túneis que escondem a logística do roubo.
Vale a pena assistir Berlim e a Dama com Arminho?
Para quem esperava adrenalina imediata, os três primeiros episódios podem soar lentos. Contudo, a partir do quarto capítulo, o ritmo se encaixa, impulsionado pela participação crescente de Candela e pela escalada entre Berlim e o Duque. Com estreia simultânea de todos os episódios e pouco mais de seis horas totais, a produção oferece resposta convincente sobre quem é Berlim antes de cruzar caminho com o Professor.
ThunderWave acompanha que a série não resolve cada falha do spin-off anterior, mas entrega contexto, emoção e um golpe pessoal capaz de revitalizar o universo de La Casa de Papel. Para fãs, curiosos ou quem apenas busca uma maratona cheia de reviravoltas, Berlim e a Dama com Arminho cumpre o que prometeu.

