Forza Horizon 6 chegará às mãos dos jogadores com uma mudança curiosa: algumas árvores e construções não podem mais ser derrubadas. A decisão da Playground Games é simples, mas carrega um peso cultural relevante ao impedir que elementos tradicionais do Japão sejam destruídos nas corridas.
A medida nasce após a repercussão negativa que outros títulos ambientados no arquipélago, como Assassin’s Creed Shadows, receberam por permitir a demolição de artefatos sagrados. Agora, a série Forza prefere prevenir críticas e adota um posicionamento cuidadoso diante de símbolos históricos.
Respeito cultural nas pistas
Segundo o diretor de design Torben Ellert, a equipe trata o jogo como um “simcade”, mesclando realismo com diversão, mas sem abrir mão de reverência a itens espirituais. Templos, portões e objetos cerimoniais foram retirados ou ganharam “escudo” invisível para evitar colisões.
A estratégia contou com a orientação da consultora cultural Kyoko Yamashita, responsável por alinhar o olhar ocidental do estúdio ao conjunto de crenças do povo japonês. Ela apontou locais e símbolos considerados intocáveis, reforçando a necessidade de cautela antes de renderizar qualquer prédio ou árvore sagrada.
Por que as cerejeiras ficaram intocáveis?
As famosas sakuras, ou cerejeiras, carregam carga simbólica de renovação e efemeridade. Pesquisadores como Glenn Moore e Cassandra Atherton lembram que, séculos atrás, árvores veneradas recebiam cordas shimenawa para alertar sobre possíveis espíritos vingativos caso fossem cortadas.
Mesmo sem cordas ou fantasmas digitais, a Playground Games optou por blindar as sakuras no mundo aberto. Outras espécies continuam quebráveis, mantendo o dinamismo das corridas off-road, mas as cerejeiras funcionam como lembrete de que o Japão vê a natureza de maneira quase espiritual.
Reação da comunidade e desempenho do jogo
Nos fóruns, poucos reclamaram da novidade; muitos até elogiaram o equilíbrio entre realismo e respeito. A alta destrutibilidade de arbustos e pequenas árvores compensou a proteção das sakuras, evitando as paradas bruscas que irritavam nos capítulos anteriores.

Imagem: Divulgação
No Steam, mais de 12 000 análises iniciais apontam mais de 70% de aprovação. As críticas concentram-se em quedas de performance e travamentos, não na abordagem cultural. Enquanto isso, a ThunderWave já destacou as recompensas extras listadas em Forza Horizon 6 detalha Car Pass, recompensas da Série 1 e mais novidades sobre os carros, sinalizando que há conteúdo abundante além das barreiras virtuais.
Consultoria local define novo padrão para AAA ocidentais
O cuidado da Playground Games pode influenciar futuros desenvolvedores. Após o episódio de Assassin’s Creed Shadows, no qual a Ubisoft precisou alterar mecânicas para impedir a destruição de relíquias, a indústria percebeu o desgaste que descuidos culturais geram.
Ellert acredita que a presença de especialistas nativos desde o pré-produção evita retrabalho e constrangimento. A expectativa é de que novas superproduções ambientadas em culturas milenares adotem protocolos parecidos, seja um RPG no Egito ou um filme interativo sobre folclore brasileiro.
Vale a pena acelerar por esse Japão preservado?
Para quem busca corridas frenéticas sem abrir mão de autenticidade, Forza Horizon 6 entrega um mapa vibrante, florestas densas e pontos turísticos intocados. A escolha de proteger cerejeiras e santuários não quebra a imersão; ao contrário, torna cada deslize de freio mais significativo dentro de um cenário que respira tradição.

