A estreia de Todo Mundo em Pânico 6 nos cinemas brasileiros gerou opiniões divididas, especialmente entre quem aprecia o universo geek. A nova produção, que marca o retorno dos irmãos Wayans à franquia, recebeu apenas 20% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma nota de 34 pontos no Metacritic. Apesar dos números negativos, esses dados precisam de contexto, já que a franquia sempre teve uma relação ambígua com a crítica especializada. Para os fãs das duas primeiras obras, o filme pode oferecer momentos de diversão, enquanto quem busca humor inteligente pode se decepcionar.
Este retorno ocorre 13 anos após o último capítulo, em 2013, após um período de tentativas frustradas de renovar o sucesso. Os filmes 3 e 4, dirigidos por David Zucker, quase apagaram a marca, mas a volta dos irmãos Wayans traz uma nova perspectiva. O filme funciona como uma espécie de revanche, uma resposta aos altos e baixos da série, além de uma sátira pesada aos clichês atuais do cinema.
O que Todo Mundo em Pânico 6 acerta
O ponto alto do filme é a sequência de abertura, considerada o melhor momento do longa. Nela, Teyana Taylor apresenta uma versão autêntica de si mesma, cheia de atitude, durante piadas com o Oscar, com um timing perfeito. Essa energia contagiante se destaca frente ao restante do elenco que, por vezes, não consegue reproduzir essa mesma vibração.
Outra cena que funciona muito bem é a sátira visual de Cheri Oteri, interpretando uma versão hilária de Demi Moore, atacada por Ghostface. A paródia, que brinca com filmes como O Exorcista e Sorria, consegue ser uma das mais eficazes do filme, por entender exatamente o que está satirizando.
A química entre Anna Faris e Regina Hall também se mantém forte, garantindo momentos de humor genuíno. As cenas em que as duas atuam juntas têm um clima de tradição na comédia absurda do gênero, porém o roteiro, por vezes, quebra essa dinâmica, separando-as de forma desnecessária.
Para quem gosta da essência do gênero, o filme funciona quando abandona a ânsia de ser relevante e aposta na sua proposta de comédia besteirol. Quando consegue manter esse tom mais solto, há momentos realmente divertidos. Esses momentos, no entanto, não sustentam o longa inteiro.
Os erros de Todo Mundo em Pânico 6 e suas limitações
O desempenho de Marlon Wayans, que reprisa o papel de Shorty, demonstra uma certa rigidez. Ele tenta encarnar uma juventude que o roteiro já não consegue sustentar, mesmo após perder mais de 15 quilos para o papel. Essa tentativa de renovar o personagem soa forçada desde o início.
O retorno de Shawn Wayans como Ray também evidencia problemas clássicos do humor datado. Os estereótipos apresentados parecem deslocados em um cenário cultural que evoluiu. Além de parecerem ultrapassados, as piadas dependem excessivamente de referências atuais da cultura pop, o que nem sempre consegue acompanhar o ritmo do roteiro.
Parte do problema está na tentativa de colocar muita referência recente, o que faz o filme parecer mais uma coleção de easter eggs do que uma sátira bem construída. A narrativa é tão tênue que personagens mortos antes reaparecem sem qualquer explicação, o que pode confundir quem busca humor inteligente. A ausência de lógica na história nem sempre é compensada pelas piadas, muitas vezes sem graça ou injustificadas.
Reação internacional e bilheteria
As avaliações do público estrangeiro reforçam a impressão de que Todo Mundo em Pânico 6 não é uma obra para quem busca qualidade cinematográfica. Comentários apontam que há boas piadas, mas também muitas cenas de constrangimento e momentos que parecem alongar sem motivo.
Apesar da recepção dividida, projeções indicam uma abertura de bilheteria entre US$ 45 e US$ 50 milhões nos Estados Unidos. Isso reforça que a franquia continua atraente para os fãs de cinema de baixa intensidade, que valorizam o aspecto mais de sala de cinema do que a crítica especializada.
Todo Mundo em Pânico 6 vale a pena?
Para fãs que acompanharam os dois primeiros filmes, a resposta é sim. O longa oferece vários momentos de humor, principalmente nas paródias mais cirúrgicas e nas cenas com Anna Faris e Regina Hall. Há ali uma nostalgia e uma diversão que justificam a experiência.
Por outro lado, quem busca uma comédia consistente do começo ao fim pode se decepcionar, pois o roteiro é irregular e o desempenho de alguns atores fica aquém do esperado. Além disso, as piadas envolvendo cancelamento e cultura pop parecem mais uma tentativa de se manter atualizado do que algo realmente inteligente.
Se você gosta do gênero de humor besteirol, provavelmente vai rir bastante. Mas se busca uma produção mais elaborada, talvez seja melhor procurar algo que ofereça humor mais refinado e menos referências gratuitas.
Por que vale a pena assistir?
Diante de tudo, Todo Mundo em Pânico 6 funciona como uma diversão passageira. O filme mantém a essência do que sempre foi um produto de paródia e cultura pop, agradando especialmente quem gosta de humor leve e na medida certa. Para quem tiver expectativas de algo além disso, o resultado pode ser frustrante, mas não chega a ser um desastre completo.
No fim das contas, o que prevalece é a nostalgia e o humor descompromissado, que continuam tendo seu espaço no universo das comédias de paródia.

Imagem: Matheus Amorim

