O roteiro de Supergirl, previsto para estrear no Brasil em 25 de junho de 2026, passou por uma reescrita completa. A roteirista Ana Nogueira confirmou que a nova versão foi construída do zero, sem basear-se em qualquer material anterior produzido na era do DCEU. Essa mudança reforça a intenção de reiniciar a personagem e sua origem dentro do novo universo DC.
Essa decisão marca uma ruptura definitiva com o passado do personagem e indica uma nova abordagem tanto na narrativa quanto na estética do filme. Desde o conceito de Krypton até a história da heroína, tudo foi reformulado, deixando para trás qualquer conexão com produções anteriores.
Duas versões, zero aproveitamento e por que isso importa
Quando James Gunn e Peter Safran assumiram o controle do DC Studios em outubro de 2022, decidiram remodelar completamente o universo de filmes. Uma das primeiras ações foi substituir a personagem de Supergirl interpretada por Sasha Calle em The Flash (2023). Para o seu filme solo, a escolha recaiu sobre Milly Alcock, que também será protagonista na nova fase do DCU.
A revelação feita por Ana Nogueira mostra como essa mudança impactou o projeto por dentro. Nenhum conceito, roteiro ou ideia do passado foi reaproveitado. A origem da destruição de Krypton, por exemplo, foi totalmente reconstruída. Segundo ela, a única herança foi o conhecimento que acumulou sobre a personagem ao longo do tempo, mas a narrativa do filme começa sem qualquer ligação com versões anteriores.
A HQ serviu de bússola, não de roteiro
O filme buscará captar o espírito de “Supergirl: A Mulher do Amanhã”, obra publicada entre 2021 e 2022 por Tom King e Bilquis Evely. Essa minissérie é reconhecida por seu tom sombrio, que mistura ficção científica com elementos de faroeste espacial, além de retratar uma Kara Zor-El marcada por traumas e conflitos internos. Apesar de essa história ser uma fonte de inspiração, a roteirista deixou claro que a adaptação não seguirá à risca.
Muitos elementos visuais, sequências e arcos narrativos foram ajustados ou cortados. Um exemplo citado por Ana Nogueira foi o do Dragão Psicodélico, uma das passagens mais marcantes da HQ, que não entrará na versão cinematográfica. Ela também comentou que dinossauros, mencionados de forma descontraída na HQ, ficaram de fora do roteiro final.
Essa liberdade de adaptação permite que o filme explore o universo emocional de Kara, focando no trauma de Krypton e na sua jornada de vingança, justiça e autodescoberta. Para quem conhece a HQ, a experiência será diferente, embora mantenha o espírito do material original. Para os espectadores comuns, essa abordagem mais livre pode facilitar a compreensão e o impacto da origem da heroína.
O elenco e o peso do espaço aberto por Gunn
A produção conta com Milly Alcock no papel de Kara Zor-El, reforçando a aposta na força da atriz, popular na série A Casa do Dragão. Além dela, o elenco inclui Matthias Schoenaerts, Eve Ridley, David Krumholtz, Emily Beecham e Jason Momoa como Lobo, o caçador de recompensas intergaláctico. A presença desse personagem reforça o clima de space opera prometido por James Gunn para a nova fase do DC.
A direção fica por conta de Craig Gillespie, que traz no currículo filmes como Eu, Tonya. Sua experiência com personagens complexos indica que a Kara de Alcock deverá ganhar uma abordagem mais aprofundada, com foco na psicologia e nos dilemas internos da heroína, além do visual impactante.
A responsabilidade sobre a atriz é grande. Ela passa a liderar a nova fase do universo DC, uma tarefa que inclui estabelecer Supergirl como um dos pilares do projeto. A escolha de Gillespie sugere uma direção voltada a uma Kara mais humana, com emoções e conflitos internos que complementam os poderes da personagem.
O que isso significa para o futuro da personagem
A decisão de reescrever o roteiro do zero é uma aposta forte de James Gunn na renovação do universo DC. Ao optar por um começo totalmente novo, o estúdio evita carregar cargas do passado, buscando estabelecer uma narrativa limpa e autoral para a heroína.
Para quem acompanha o mundo geek, essa estratégia de recomeço é um sinal de que mudanças profundas acontecerão na forma de produzir filmes e séries de heróis. Com diferentes abordagens e estilos, o DCU quer conquistar tanto os fãs mais tradicionais quanto o público que gosta de histórias mais contemporâneas e visceralidades, como as presentes na HQ de Tom King.
O lançamento de Supergirl em 2026 mostrará se essa nova proposta consegue se firmar como um marco na narrativa de heróis no cinema, além de dar o pontapé inicial para uma fase completamente nova dentro do universo DC.
Vale a pena? A dúvida fica no ar
Para os fãs de HQs e filmes de super-heróis, a mudança de roteiro pode gerar expectativas de uma história mais madura e focada na personagem. Mas também levanta a questão se a liberdade criativa não comprometerá a essência da heroína original. A resposta só virá na estreia, quando a narrativa final for revelada, mostrando se essa aposta do universo DC deu certo.
Imagem: Matheus Amorim

