Quando um thriller promete uma trama sobre um serial killer, a expectativa é de tensão constante e reviravoltas que mantenham o espectador grudado na tela. “The Whisper Man”, disponível na Netflix, tenta entregar essa experiência, mas acaba ficando aquém do que se poderia esperar, principalmente quando um nome de peso como Robert De Niro está no elenco.
A história acompanha Tom Kennedy, um escritor viúvo que se muda com seu filho traumatizado para uma casa antiga e sombria. A tranquilidade é abalada quando o menino é sequestrado por um assassino que possui um modus operandi muito específico, remetendo a um criminoso já preso há décadas. O enredo se complica com a relação conturbada entre Tom e seu pai, Pete Willis, interpretado por De Niro, o detetive que capturou o assassino original.
Apesar de uma premissa que poderia gerar um thriller envolvente, o filme sofre com um roteiro previsível e atuações que não empolgam, deixando o suspense esfriar e a narrativa perder força.
The Whisper Man é um thriller sobre um pai e filho tentando resolver um mistério

O ponto de partida do filme é o sequestro do pequeno Jake, que sofre com traumas e tem a companhia de amigos imaginários, o que adiciona uma camada de mistério à trama. O assassino, conhecido como The Whisper Man, tem um método cruel: mantém as vítimas presas por alguns dias e as obriga a gravar mensagens angustiantes para seus familiares.
Essa conexão entre o presente e o passado, com o pai de Tom sendo o responsável por prender o criminoso original, cria uma tensão familiar que poderia ser bem explorada, mas acaba sendo apenas um pano de fundo para o enredo. A relação fria e distante entre pai e filho é abordada de forma superficial, sem explorar plenamente o impacto emocional que tal história poderia causar.
O mistério sobre a identidade do sequestrador e as motivações por trás dos crimes é o motor da narrativa, porém a falta de profundidade no desenvolvimento dos personagens dificulta a criação de uma empatia mais forte com o público.
Robert De Niro parece desinteressado e cansado em The Whisper Man

Robert De Niro, conhecido por sua dedicação e performances marcantes, entrega aqui uma atuação apagada e sem energia. Seu personagem, o detetive Pete Willis, é retratado como um homem marcado pelo passado e pela bebida, mas a interpretação não transmite a intensidade necessária para fazer jus à complexidade do papel.
Essa falta de brilho na atuação de De Niro é especialmente sentida quando comparada a trabalhos recentes do ator, que ainda demonstram sua capacidade de mergulhar nos personagens. Em “The Whisper Man”, sua presença parece mais um formalismo do que um verdadeiro compromisso artístico, o que compromete a força dramática do filme.
Por outro lado, Adam Scott, no papel de Tom, segura a narrativa com uma atuação sólida, embora seu personagem seja pouco desenvolvido. Ele consegue transmitir a angústia de um pai desesperado, mas sem grandes nuances que o tornem memorável.
Michelle Monaghan e Hamish Linklater tentam injetar energia no filme

Entre os coadjuvantes, Michelle Monaghan se destaca como a detetive Amanda Beck, que apesar de uma caracterização visual que a faz parecer menos atraente do que o habitual, demonstra empenho em dar vida a sua personagem. A tentativa de explorar sua fé quaker poderia ter acrescentado uma camada interessante à trama, mas é rapidamente abandonada pelo roteiro.
Hamish Linklater, em um papel menor, chama atenção ao interpretar um suspeito com uma obsessão incomum por serial killers. Sua performance carrega um charme peculiar e adiciona um toque de tensão ao enredo, despertando a curiosidade do espectador em meio ao desenvolvimento morno da história principal.
Esses atores contribuem para que “The Whisper Man” mantenha algum ritmo e não caia completamente no esquecimento, mas a falta de profundidade e originalidade limita o impacto do filme.
The Whisper Man é assistível, mas um tanto previsível

Um dos maiores problemas do filme é a previsibilidade. A trama segue caminhos já bastante explorados no gênero, o que pode fazer com que o espectador antecipe os acontecimentos com facilidade. Essa sensação de que o roteiro não surpreende em momento algum diminui o suspense e torna a experiência menos envolvente.
Mesmo assim, o filme consegue criar uma atmosfera sombria e alguns momentos de tensão que agradam aos fãs de thrillers. A direção de James Ashcroft traz uma ambientação adequada, com cenários escuros e clima inquietante que ajudam a manter o interesse durante a maior parte do tempo.
Embora não seja memorável, “The Whisper Man” oferece uma entretenimento razoável para quem busca um thriller leve e sem grandes pretensões, especialmente em um catálogo tão extenso quanto o da Netflix.
O que esperar após assistir The Whisper Man?
Se você procura um thriller para passar o tempo, “The Whisper Man” pode ser uma escolha aceitável, especialmente por sua ambientação e algumas atuações que surpreendem positivamente. Porém, se espera uma trama inovadora ou personagens profundos, o filme pode decepcionar.
Para os fãs de Robert De Niro, essa obra não representa o melhor da carreira do ator e pode até causar certa frustração pela falta de energia na performance. Já para aqueles que apreciam histórias de serial killers com um clima sombrio e mistérios familiares, a produção oferece elementos suficientes para manter o interesse até o fim.
Em suma, “The Whisper Man” é uma experiência mediana que não se destaca no gênero, mas também não chega a ser desagradável, funcionando como um passatempo para noites em que a busca é por algo que não exija muito esforço intelectual.

