Adam Wingard saída Godzilla é explicada pelo próprio diretor como uma busca por identidade criativa após trabalhar com grandes franquias. Em entrevista ao SlashFilm em 4 de setembro de 2026, Wingard afirmou que sentiu ter atingido um ápice no mundo das franquias, incluindo ter dirigido dois filmes de mais de $150 million.
Ele citou que, após projetos como Godzilla vs. Kong e Godzilla x Kong: The New Empire, precisava fazer algo que solidificasse seu estilo pessoal. Por isso embarcou em Onslaught, um thriller de pequena escala que remete a seus trabalhos autorais anteriores.
Motivações, referências e escolhas em Onslaught
Wingard descreve Onslaught como parte de uma trilogia espiritual com You’re Next e The Guest, filmes que exploram segredos e consequências terríveis. Ele afirmou que queria um filme sobre um pai ou mãe, já que a paternidade mudou sua perspectiva, tornando a história mais pessoal do que quando trabalhava com IPs de franquia.
O realizador explicou que a pesquisa para o filme vem de uma vida de interesse por conspirações, citando desde livros sobre o assassinato de JFK até teorias do pós-9/11. Wingard e o roteirista Simon Barrett se inspiraram também no livro chamado “Chameleo”, que sugere episódios de invisibilidade militar, embora a ideia não tenha sido usada integralmente em Onslaught.
O diretor falou sobre a intenção de criticar o complexo militar-industrial e de retornar a um cinema mais sujo e próximo de obras como as de John Carpenter. Ele acrescentou que optou por um tom sonoro com trilha sintética e por cenas que confrontam o espectador, como a sequência no posto de gasolina que remete à violência por armas na vida real.
Wingard disse que essa cena foi pensada para ser stark e real, com quase nenhuma música, priorizando o som cru das armas para tirar a “sex appeal” cinematográfico dos disparos. Ele contou que, apesar do receio sobre reações, houve pouco empurra-empurra na pós-produção e a cena permaneceu quase intacta.
Fechamento: planos futuros e estética sonora
Wingard afirmou estar interessado em expandir o universo de Onslaught, sugerindo que elementos dos créditos finais podem levar a sequências ou spinoffs. Ele descreveu a cena de clippings e fios vermelhos como obra de um teórico da conspiração e não descartou revisitar essa linha narrativa no futuro.
Sobre trilhas, o diretor disse que sempre preferiu scores eletrônicos e que sentiu limitação ao trabalhar nos filmes de Godzilla por conta da expectativa de orquestrações maiores. Ele afirmou que gostar de sintetizadores vem desde a infância, com filmes como Big Trouble in Little China e referências culturais como a trilha de Mortal Kombat, e que agora busca trazer esse som de volta aos seus projetos.
Em resumo, Wingard deixou o mundo das franquias para reafirmar sua voz autoral com Onslaught, explorando temas parentais, conspirações e violência realista, mantendo a estética que definiu seus primeiros filmes.