Primeiras reações à estreia de First Street Fighter (2026) indicam um filme visualmente arrojado, cheio de personalidade, mas sem conseguir manter um tom consistente do começo ao fim. Exibido para a imprensa antes da estreia, o longa de Kitao Sakurai desperta fascínio pelos elementos estéticos e pela mistura de gêneros, ao mesmo tempo em que divide opiniões sobre roteiro e coesão.
A proposta de adaptar um dos maiores nomes dos jogos de luta trouxe expectativas claras: entretenimento acelerado, fan service e sequências de combate memoráveis. O que se vê nas reações iniciais é um filme que acerta em ambição visual e humor, mas que tropeça ao tentar equilibrar todos esses elementos em uma narrativa consistente.
Estética e direção: uma aposta no visual e na nostalgia
First Street Fighter se destaca imediatamente pela identidade visual. A paleta de cores saturadas, os elementos que misturam live-action e animação e o uso de needle-drops contribuem para uma sensação de nostalgia, remetendo a um cinema que dialoga com os anos 1990.
As sequências animadas em 2D foram citadas por críticos como um dos pontos mais fortes do filme, elevando momentos-chaves e dando life às lutas de forma estilística. Além disso, a escolha de elenco — que inclui atores característicos, comediantes, veteranos do cinema de ação e até lutadores — reforça a intenção de construir um espetáculo que funcione tanto para fãs quanto para o público casual, como destaca a crítica da prequela Crystal Lake com Linda Cardellini.
Humor e tom: quando a homenagem vira ambiguidade
O humor de First Street Fighter é uma faca de dois gumes. Em muitos trechos, o filme se beneficia de um tom leve e autoirônico, que transforma cenas exageradas em pura diversão. Esses momentos, quando bem dosados, tornam o longa uma experiência despretensiosa e energética.
No entanto, há reclamações recorrentes sobre a falta de compromisso com um tom único. O filme oscila entre o pastiche saudosista e a seriedade dramática sem fazer a transição de forma fluida, o que provoca rupturas na imersão. Essa instabilidade tonal faz com que algumas piadas não atinjam o alvo e que cenas de combate, por vezes, pareçam menos impactantes do que deveriam.
Lutas e coreografias: espetáculo com momentos dispersos
As cenas de combate são, em boa parte, visualmente impressionantes — há criatividade nos enquadramentos, no uso da animação e na montagem. Ainda assim, parte da crítica aponta que o espetáculo visual nem sempre se traduz em emoção: algumas lutas funcionam melhor como vitrine técnica do que como peça narrativa.
Isso não significa ausência de bons momentos. Existem passagens que lembram o entretenimento puro dos filmes de ação dos anos 80/90, com exageros propositais e ritmo frenético. Mas a alternância entre diferentes estilos de luta e a inserção frequente de elementos animados podem deixar a sensação de que o filme está constantemente se reinventando — nem sempre para melhor.
Roteiro e diálogos: pontos fracos que comprometem a coesão
Entre as críticas mais repetidas está o diálogo e a construção dramática. Alguns setores apontam que o roteiro falha em estabelecer profundidade emocional para seus personagens, confiando excessivamente no carisma do elenco e na estética para sustentar o interesse.
Diálogos pontuais foram considerados fracos ou pouco inspirados, com piadas que raramente se tornam memoráveis. Essa fragilidade textual contribui para a sensação de caos em determinadas sequências e para uma narrativa que, em momentos-chave, perde a agilidade necessária para justificar as escolhas estilísticas.
O que funciona para fãs e o que pode afastar espectadores
Se você é fã da franquia original, First Street Fighter oferece recompensas claras: visuais que evocam o universo dos jogos, referências espalhadas e cenas pensadas para agradar ao público já familiarizado. A mistura de estilos e a presença de animação também representam um acerto no sentido de traduzir aspectos lúdicos dos games para o cinema.
Para o público que busca uma narrativa mais enxuta ou uma adaptação estritamente fiel, porém, o filme pode frustrar. A falta de coesão tonal, o roteiro irregular e os diálogos pouco inspirados são pontos que tendem a dividir a audiência entre quem valoriza espetáculo e quem procura substância dramatúrgica.
Veredito e o próximo passo para o público
First Street Fighter (2026) é um filme ambicioso que convence pela estética, pela energia e por momentos de pura diversão visual, mas que também evidencia falhas de coesão e roteiro. Trata-se de uma obra que potencializa a experiência sensorial e nostálgica, porém que não consegue sustentar esse impulso até o fim.
Se a sua prioridade é ver um espetáculo colorido, cheio de referências e com lutas estilizadas, vale a ida ao cinema. Para quem espera uma narrativa equilibrada e diálogos bem lapidados, a experiência pode ser desigual. De qualquer forma, o filme abre espaço para debates sobre como adaptar jogos de luta para o cinema e deixa pistas sobre o que funcionou — e o que precisa ser afinado — em futuras tentativas.