A adaptação de Os Testamentos, disponível no Disney+, apresenta uma releitura radical do romance de Margaret Atwood, mudando pontos cruciais na trajetória de seus personagens. Em especial, a história de Becka passa por uma transformação significativa, refletindo uma abordagem mais focada em questões de controle e falta de autonomia feminina dentro do universo de Gilead. Essas mudanças evidenciam como as produções de séries recentes têm explorado novas perspectivas para histórias já conhecidas, trazendo maior complexidade às narrativas.
Na série, Becka é submetida a um casamento forçado com Garth, um aliado da resistência Mayday, e seu destino é marcado por uma suspensão de autonomia que não existia na versão literária. Essa alteração reforça o foco da produção em temas de opressão e controle sistêmico. Para os fãs de séries, jogos e animes, essa mudança aprofunda a discussão sobre o papel das mulheres dentro de regimes autoritários, além de criar uma narrativa mais emocional e visualmente impactante.
Quem é Garth e por que ele tranca Becka no quarto?
Garth surge como uma figura central na resistência Mayday, sendo um amigo próximo de Agnes. Sua decisão de trancar Becka no quarto ao levá-la para morar com ele é carregada de intenção, embora pareça controversa à primeira vista. A ação visa proteger Becka de si mesma, enquanto ela passa por momentos de forte vulnerabilidade emocional após seu casamento forçado e a perda de sua mãe.
Na trama, Becka é sedada durante a cerimônia de casamento, que ocorre com ela inconsciente. Garth, ao colocá-la na cama e fechar a porta, busca evitar que ela cometa autoagressões ou se prejudique enquanto enfrenta o trauma. Essa estratégia, que na série é retratada como uma medida de proteção, difere bastante da narrativa do livro, onde sua postura é de resistência e busca por autonomia.
Como a série reinterpreta a história de Becka em comparação ao livro?
Na obra original de Margaret Atwood, Becka tinha uma trajetória de resistência individual. Ela se recusava a aceitar o casamento sob as regras de Gilead, por causa de um trauma profundo decorrente de abuso infantil por seu pai adotivo. Sua história culmina em uma tentativa de suicídio para escapar do sistema, numa decisão ligada ao desejo de manter sua autonomia.
Já na série, a narrativa foi alterada. Becka não age contra seus agressores, matando Dr. Grove, por exemplo. Ela se torna vítima de um casamento imposto, enquanto sua instabilidade mental é resultado de culpa e perda, e não de resistência ativa. Essa mudança reforça uma narrativa mais marcada por trauma vicário e opressão sistêmica, em linha com o foco da produção na exploração de como as mulheres sofrem dentro de regimes autoritários.
Garth, proteção ou controle? Como a série explora a lealdade dele
O ato de trancar Becka levanta questões sobre as verdadeiras intenções de Garth. Dentro da história, ele é um aliado da resistência Mayday, mas a cena sugere que seu método pode envolver contenção contínua. Essa ambiguidade faz o público questionar se ele está protegendo ou controlando Becka, refletindo a dinâmica de poder dentro de um regime tão totalitário quanto Gilead.
O relacionamento entre Agnes e Becka também fica mais complexo após esse episódio. A cena em que ambas trocam um beijo revela tensões que provavelmente vão se aprofundar na próxima temporada. Essa relação pode transformar-se num elemento central, enquanto os personagens navegam entre lealdades divididas em um mundo de manipulações e controle.
Imagem: Matheus Amorim
Personagens, novidades e o que vem por aí
O elenco inclui nomes como Mattea Conforti, Chase Infiniti, Ann Dowd e Rowan Blanchard, que carregam narrativas bastante ressignificadas. A série explora como seus personagens femininos têm suas liberdades e escolhas restringidas, uma abordagem que contrasta com a escrita original de Margaret Atwood. A produção mostra um universo onde os papéis femininos são impostos, reforçando o tema de opressão sistêmica.
Com a estreia de Os Testamentos marcada para 2026 no Disney+, a expectativa é de que a temporada seguinte aprofunde as tensões entre Becka e Garth, além de explorar as lealdades divididas de Agnes. Essa abordagem reforça o interesse da série em apresentar uma visão mais sombria e controladora do universo de Gilead, diferente da resistência mais ativa do livro.
Vale ou não vale a pena?
Para quem acompanha o universo geek e gosta de séries envolvendo temas distópicos, o diferencial de Os Testamentos é pensar na narrativa sob uma ótica mais contemporânea, com foco na opressão e na ausência de liberdade. Sua abordagem mais sombria e as mudanças na história de personagens como Becka fazem dela uma opção interessante, sobretudo para fãs de ficção científica e dramas políticos na estética de séries. Vale a pena conferir se você gosta de enredos que exploram o controle social e as relações de poder na ficção.

