O final de Instinto Materno traz uma reviravolta impactante, revelando detalhes que mudam toda a percepção da história. Nessa conclusão, Céline consegue concretizar seus objetivos ao manipular os cenários ao seu favor, sem ser descoberta. Além disso, as mortes de Damian, Alice e Simon ficam esclarecidas, enquanto Theo é adotado por Céline, fechando o ciclo de sua obsessão.
A trama se desenrola em um cenário americano dos anos 1960, onde a pressão social sobre a maternidade é intensa. O filme aprofunda suas camadas ao mostrar que o verdadeiro instinto de Céline não é proteger, mas apropriar-se do que ela deseja. A complexidade do personagem se revela na medida em que suas ações são justificadas por uma dor não resolvida.
Como Céline age para eliminar Damian, Alice e Simon
Céline inicia seu plano ao simular a morte de Damian, seu marido, por meio de um suicídio encenado. Essa estratégia demonstra sua frieza e planejamento, além de liberar espaço para perseguir seu verdadeiro objetivo: conquistar Theo, garantindo que ninguém atrapalhe seu desejo de ser mãe.
A morte de Simon e Alice ocorre de forma semelhante. Céline manipula a situação ao provocar um vazamento de gás na casa dos dois, criando um acidente que parece natural. A escolha de Alice, encarnada pela atriz Jessica Chastain, reforça a ideia de que Céline tinha uma obsessão por maternidade que tinha início na inveja pela relação de Alice com Theo.
O desfecho de Theo e o significado da adoção
Theo é a única vítima poupada por Céline, que ao adotá-lo após a morte dos pais biológicos transforma esse ato na realização de sua obsessão. A adoção não é apenas uma conquista, é maior que isso — é uma tentativa de preencher o vazio causado pela perda de Max, seu filho verdadeiro.
Ao optar por salvar Theo, Céline demonstra que seu desejo não é destruir, mas substituir a figura de Alice. Ela não busca vingança contra as pessoas, mas uma duplicata do que nunca conseguiu lidar na própria história. Essa escolha deixa uma sensação de inquietação, pois ela parece satisfeita ao obter a vida que sempre quis.
A origem da obsessão: o trauma de Max
A desesperadora motivação de Céline está na morte de Max, seu filho defunto antes do início da narrativa. O filme evidencia que ela nunca elaborou seu luto de forma saudável, e essa dor não resolvida se transforma em uma obsessão pelo filho de Alice, Theo. Toda sua postura de ações nefastas nasce dessa incapacidade de aceitar a perda.
A ambientação em um subúrbio norte-americano reforça a ideia de repressão social e desejo de perfeição que, neste cenário, não deixa espaço para lidar com o sofrimento. A cultura da época valorizava a maternidade como destino supremo, o que faz Céline mascarar seus conflitos internos atrás de uma máscara de normalidade.
Interpretando o papel das atrizes Anne Hathaway e Jessica Chastain na narrativa
Céline, interpretada por Anne Hathaway, e Alice, assumida por Jessica Chastain, constituem um confronto psicológico que reforça o clima de tensão do filme. O roteiro de Sarah Conradt aposta em uma narrativa centrada em gestos contidos e na construção de suspense ao invés de violência explícita, o que torna o desfecho ainda mais perturbador.
O título brasileiro Instinto Materno, ao contrário do que sugere, revela que o “instinto” de Céline é de apropriação e posse. Essa inversão do tema é um diferencial do filme, que provoca reflexão sobre o que leva alguém a agir de forma tão obsessiva.
O que fica em aberto após o final do filme
A conclusão traz Céline conquistando tudo o que planejou, sem enfrentar consequências imediatas ou investigações. Theo permanece sob seu controle, enquanto ninguém suspeita de seus verdadeiros motivos. Essa atmosfera de silêncio e impunidade reforça a proposta do filme, de gerar desconforto ao apresentar um final ambíguo.
O que fica na dúvida é quanto ao entendimento de Theo sobre o ocorrido. Como criança, a história pode não fazer sentido para ele ainda, e o filme opta por não esclarecer essa questão. Assim, fica o peso de toda a narrativa sem uma resolução moral definida, criando um efeito de inquietação duradoura.
Vale a pena assistir Instinto Materno?
A produção oferece uma abordagem inteligente e claustrofóbica de thriller psicológico, com atuações intensas de Hathaway e Chastain. Se você gosta de narrativas que brincam com o psicológico e possuem finais abertos e instigantes, este filme certamente vale sua atenção. Além disso, o roteiro de Sarah Conradt consegue transformar uma história de obsessão em uma reflexão sobre perdas e segredos que permanecem escondidos.
Por outro lado, quem busca ação ou um desfecho mais convencional pode se sentir incomodado com o estilo mais contido da obra. Ainda assim, a escolha por um final ambíguo contribui para que o filme fique na memória e gere discussões após a sessão, fazendo de Instinto Materno uma opção interessante para quem aprecia suspense psicológico de qualidade.
Imagem: Matheus Amorim

