Você já passou horas escolhendo o som de um filme e sentiu que a trilha não refletia seu estilo? No caso de Adam Wingard e a MonsterVerse, o conflito não é apenas entre diretor e estúdio, mas entre a música que ele quer imprimir e as decisões que chegam de fora. O resultado é uma conversa direta sobre como grandes franquias costumam acomodar a visão criativa do cineasta, mesmo com bilheterias expressivas. Abaixo, apresento os fatos centrais, em ordem clara e sem rodeios, para entender o que ficou fora da assinatura do diretor e o que, mesmo assim, funcionou para o público.
Wingard dirigiu dois filmes da MonsterVerse: Godzilla vs. Kong (2021) e Godzilla x Kong: The New Empire (2024/2026). Em entrevistas recentes sobre Onslaught, ele admitiu que a trilha sonora de seus filmes não permitiu que ele deixasse sua marca musical como gostaria. A discussão não é apenas sobre escolhas individuais de composições, mas sobre o mecanismo pelo qual o estúdio impacta decisões criativas de forma estruturada.
Apesar das restrições, The New Empire alcançou desempenho global recorde entre os filmes dirigidos por Wingard, com mais de 570 milhões de dólares. Isso mostra que, mesmo quando a visão criativa é limitada, a franquia consegue sucesso comercial significativo. A discussão envolve também a possibilidade de Matthew Pusti, conhecido por trabalhos como Death Note, ter tido um papel maior na trilha de Godzilla vs. Kong, algo que não se concretizou, segundo Wingard, por decisões da Legendary e da WB. A matéria aponta que a influência dos estúdios continuou em todas as fases criativas da trilha, mesmo sem o input completo do diretor.
01. Godzilla movies don’t allow for much creative freedom

Wingard descreve a situação como um ambiente em que a trilha precisava seguir diretrizes de estúdio, reduzindo o espaço para experimentar sons com personalidade própria. Ele afirma ter sentido, ao longo de Godzilla vs. Kong, a pressão para se adaptar ao que a equipe de produção considerava seguro e viável dentro do MonsterVerse.
Segundo o diretor, a ideia de trazer Matthew Pusti para a trilha de Godzilla vs. Kong foi recusada, com a justificativa de que a decisão caberia à Legendary e à Warner Bros. Esse episódio evidencia o clássico dilema entre visão criativa individual e alinhamento com um projeto subsidiado por grandes estúdios.
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Workflow limitado à escolha de três compositores—explicou Wingard—significava que sua influência era curta frente a um conjunto de opções já filtradas pela produção. A discussão não é apenas sobre a pessoa que compõe, mas sobre o processo que define o tom musical desde o pré-viz até a versão final.
O papel de Legendary e Warner Bros. aparece como fator decisivo na prática: as decisões sobre a trilha continuaram sob a guarda das produtoras, com Wingard destacando que o input dele foi diluído ao longo do caminho. Mesmo assim, Godzilla x Kong: The New Empire emergiu como o filme de maior bilheteria mundial entre os dirigidos por ele, superando a marca de 570 milhões de dólares.
Conquistando números sem abandonar a narrativa
Conclusão estratégica: a distância entre a ideia criativa de Wingard e a prática de produção não impediu o sucesso comercial da série. O equilíbrio entre manter a alma do filme e atender às exigências de estúdio pode, de fato, gerar bilheterias expressivas, ainda que a assinatura musical do diretor tenha ficado menos presente do que ele gostaria. Com o fechamento do ciclo atual, o que fica é o aprendizado de que liberdade criativa tem limites — e que, mesmo assim, a franquia continua relevante para o público.

