Digger é um filme de Alejandro G. Iñárritu que mistura sátira política e metateatro para discutir mudança climática, com Tom Cruise em dupla função.
O filme alterna entre a história do magnata petrolífero Digger Rockwell e os bastidores de uma peça chamada Fossil Fools, abordando responsabildades corporativas e o papel da arte em tempos de crise.
O que acontece na trama central envolvendo Digger Rockwell
No início, Digger Rockwell, interpretado por Tom Cruise em Digger de Alejandro G. Iñárritu, causa por perfuração em Greenland uma fissura que leva um bloco de gelo de 400 milhas a se desprender e rumar para a Europa.
Em seguida, Digger participa de uma cúpula com líderes, incluindo o Presidente Compson, vivido por John Goodman, onde o conselheiro científico Ganesh, de Riz Ahmed, alerta que o bloco pode destruir grandes áreas da Europa.
A reviravolta teatral e a identidade dupla de Cruise
Iñárritu revela que parte do que vimos é uma dramatização dentro do filme: Curtis Markson é o ator que interpreta Digger na peça Fossil Fools, e Tom Cruise interpreta ambos, o magnata e o ator.
Nos bastidores, Curtis discute o tom da peça com a diretora Hannah, papel de Sophie Wilde, e se preocupa com a filha, que desapareceu num momento em que viagens aéreas se tornaram perigosas.
Desfecho: a cena final da peça e o que ocorre depois
No palco, Digger admite sua culpa e defende um niilismo climático, encerrando a peça com um mergulho no mar a partir da plataforma de petróleo à qual fugira.
Fora do palco, Curtis reencontra a esposa e a filha graças a Kenny, financiador da peça e sobrinho do verdadeiro Digger, interpretado por Jesse Plemons; imediatamente depois, um alarme obriga a plateia a usar máscaras de gás.
Como o filme trata sátira, responsabilidade e arte
Digger posiciona Digger Rockwell como um arquétipo do bilionário responsável por danos ambientais, nomeadamente comparado a figuras políticas reais segundo a narrativa do filme.
Iñárritu usa ambiguidade entre peça e realidade para questionar formas de representação: o filme tanto denuncia a figura do magnata quanto investiga se a sátira teatral é a abordagem correta para a catástrofe.
A defesa da arte dentro do próprio filme
O filme apresenta uma linha de defesa explícita da importância da arte. Iñárritu coloca a dramatização como meio para provocar reflexão e ação, mas a própria obra admite incertezas sobre sua eficácia.
Segundo a narrativa, a existência da peça e do filme pretende manter uma chama de esperança e debater responsabilidade, sem afirmar que a arte, por si só, salvará o mundo.
Este relato foi compilado a partir da cobertura do lançamento e análise publicadas por SlashFilm sobre Digger.