Andy Weir detalha o desafio de adaptar a linguagem alienígena para o audiobook de Project Hail Mary, explicando como a equipe equilibrou narração e efeitos musicais. O problema central foi transmitir as notas musicais que compõem o idioma de Rocky sem prejudicar a escuta.
O autor enfatiza que houve muitas discussões sobre efeitos especiais e apresentação de Rocky no áudio, já que o filme ainda não tinha estreado quando o audiobook foi produzido. A solução adotada envolve a combinação de Ray Porter lendo as falas com trilhas sonoras que representam a comunicação Eridian.
Como Rocky se comunica e o desafio na versão em áudio
No romance, Rocky, o alien do planeta Erid, usa tons e acordes musicais para falar, e Ryland Grace cria um sistema de tradução no enredo. Esse aspecto já era conhecido de leitores da obra original e do filme, onde James Ortiz explicou a escolha do animatrônico para a cena de Rocky, que foi manipulado como uma marionete.
A novidade no audiobook é a forma técnica de representação: Ray Porter narra Rocky, mas a equipe adicionou notas musicais para simular o som pré-tradução. Andy Weir contou que a intenção foi manter a sensação de linguagem alienígena sem tornar a escuta confusa ou artificial.
Decisão editorial e a evolução sonora ao longo da narração
Weir explicou que as decisões editoriais incluíram ajustar o volume das notas ao longo do livro. No início, as notas são proeminentes para indicar a comunicação direta de Rocky; isso diminui gradualmente conforme Ryland Grace aprende o idioma.
Segundo o autor, a transição sonora — notas altas no começo e quase inaudíveis no final — foi pensada para representar o progresso do entendimento entre os personagens. Weir disse também que houve “muitas conversas” sobre como executar essa ideia corretamente.
Performance de Ray Porter e relação com outras versões
Ray Porter narra o audiobook e foi elogiado por sua performance como Ryland Grace; ele ganhou o Audie Award 2022 de Fiction e Audiobook of the Year por esse trabalho. Porter interpreta também as falas de Rocky, integrando a leitura com os elementos musicais.
A combinação de narração e efeitos musicais buscou traduzir o equilíbrio do livro entre ficção científica rigorosa e tom familiar, observado tanto na obra impressa quanto na adaptação cinematográfica. Andy Weir afirmou positivamente sobre o resultado e reconheceu o processo de ida e volta nas decisões.
O autor também mencionou o trabalho de James Ortiz no filme, que deu a Rocky uma voz e presença física por meio de puppetry. Essa escolha no filme reforça a intenção original de Weir de evitar uma forma humanoide para o alienígena.