Andy Weir, autor de Project Hail Mary, disse que já tentou escrever roteiros, mas se sente limitado pelo formato visual e pela falta de espaço para exposição direta.
Em entrevista ao SlashFilm, Weir explicou por que prefere o romance tradicional e como experiências com audiobooks o ajudaram a entender essas restrições.
O desafio do formato audiovisual e o exemplo de Exoplanet
Weir comentou sua participação executiva no audiobook Exoplanet, um Audible Original que usa efeitos sonoros para transmitir ação em vez de um narrador explicativo, similar ao desafio de adaptar a linguagem alienígena no audiobook de Project Hail Mary.
Segundo o autor, o escritor Benjamin Percy recusou o uso de um narrador, optando por construir toda a história apenas com sons do cenário, o que aumentou a complexidade do trabalho para quem estaria acostumado à exposição direta.
Por que os roteiros o deixam “constrained”
Weir disse: “I’ve tried my hand at writing scripts and screenplays in the past, and I’ve always felt really constrained and claustrophobic by that because you have very little space to do things.” Ele explicou que, em livros, pode inserir um parágrafo de exposição para explicar eventos de forma direta.
No cinema e em audiobooks sem narrador, a exposição precisa ocorrer por diálogo ou por elementos visuais e sonoros, o que reduz a possibilidade de explicações diretas ao leitor ou ouvinte.
Preferência atual e próximos passos na carreira
Weir afirmou que, por enquanto, está mais confortável escrevendo romances; ele trabalha em um novo livro que abordará inteligência artificial, tema que ele discutiu em entrevista sobre os dilemas da IA na ficção científica.
Embora seus trabalhos anteriores, como The Martian (2015) e a adaptação de Project Hail Mary tenham tido sucesso comercial e crítico, Weir não vê-se abandonando o formato do romance diante das limitações mencionadas.
Diferença entre audiolivro narrativo e roteiro cinematográfico
O autor destacou a distinção técnica: em um audiobook narrativo é possível usar um narrador para expor informações; em um roteiro, a exposição deve ser traduzida em diálogo ou imagem.
Weir atribuiu a dificuldade a esse mesmo princípio, apontando que a ausência de parágrafo expositivo é o fator que o faz evitar, por ora, escrever roteiros completos.