Sea of Thieves voltou aos holofotes nesta semana, mas não pelo seu modo pirata colorido. A Rare, estúdio responsável pelo game, precisou reafirmar publicamente os valores da comunidade depois que um antigo embaixador do programa de criadores foi acusado de má conduta sexual com menores.
O posicionamento chegou logo após o início da Temporada 19: Ato 3, que introduziu o evento PVP Last Ship Standing. Enquanto os navios duelavam no mar, boa parte da tripulação online discutia a forma como o estúdio lidou com o caso.
O que motivou a resposta da Rare
Durante todo o ano de 2026, circularam nas redes sociais relatos de que um criador de conteúdo, integrante do programa Partner de Sea of Thieves, trocava mensagens inapropriadas com menores de idade. O criador, que carregava o título de “Boatswain” ‑ um posto de destaque entre os parceiros oficiais ‑ optou por apagar os perfis públicos logo depois de ser banido permanentemente do jogo.
Com a repercussão, jogadores denunciaram que o estúdio tentava silenciar conversas sobre o tema em fóruns e redes sociais. A pressão aumentou até 14 de maio, quando a Rare publicou um comunicado oficial dizendo que as acusações violam o código de conduta e que a segurança dos usuários será prioridade daqui em diante.
Medidas imediatas: cargo aposentado e novos processos internos
No texto, a Rare anunciou a extinção definitiva do cargo de Boatswain dentro do programa de criadores. A desenvolvedora afirmou ainda que está “evoluindo processos e políticas” para reforçar a proteção a jogadores, convidando qualquer pessoa que presencie comportamento abusivo a relatar o caso ao suporte oficial.
Apesar do gesto, parte da comunidade considerou a resposta tardia e puramente “PR”. Usuários do subreddit de Sea of Thieves chegaram a levantar a hipótese de que o comunicado teria sido gerado por inteligência artificial, algo não confirmado pela empresa.
Impacto na base de jogadores
A repercussão negativa levou alguns fãs a abandonar o game como forma de protesto. Mesmo com Sea of Thieves se consolidando como exemplo de jogo como serviço que superou um começo conturbado, a confiança de parte da tripulação balançou. Resta saber como isso afetará o engajamento nos próximos meses, especialmente com o Xbox Game Pass preparando a lista de junho e os jogadores avaliando no que investir tempo e assinatura.

Imagem: Divulgação
Enquanto isso, a própria Rare tenta manter o foco no conteúdo in-game. Last Ship Standing, disponível apenas para tripulações solo ou duo em sloops, recompensa quem sobreviver mais tempo com bônus de Aliança. A atualização ainda trouxe correções gerais, em linha com a estratégia de atualização contínua que colocou o estúdio novamente no radar das grandes produtoras.
Turbulência externa e conexão com o cenário de games
Casos de conduta inadequada em comunidades online não são exclusividade de Sea of Thieves. Em abril, outros títulos live-service também revisaram diretrizes internas, reforçando uma tendência do setor. Para o portal ThunderWave, que acompanha de perto o universo geek, a movimentação reforça a urgência de políticas claras em plataformas com forte participação de criadores.
Paralelamente, a conversa sobre moderação e segurança se estende a jogos tão variados quanto simuladores de corrida — vale lembrar que Forza Horizon 6 alterou a física do cenário para preservar elementos culturais japoneses — e até experiências em plataformas como Roblox, onde novos códigos de Iron Soul Dungeon são liberados quase semanalmente.
Sea of Thieves ainda vale a pena?
Para jogadores que acompanham Sea of Thieves desde 2018, a resposta depende mais da confiança na Rare do que do conteúdo disponível. A Temporada 19 oferece disputas navais renovadas e recompensas extras, mas parte da comunidade avalia se a postura do estúdio diante de denúncias condiz com os próprios valores divulgados. O próximo trimestre será decisivo para medir se o mar de piratas voltará a navegar em águas tranquilas.

